A Cirurgia da Micas

No final de mais um Verão, podemos voltar a respirar um bocadinho e até temos uns minutos para escrever sobre o caso do Tumor Hepático da Micas.

Para a equipa da Vet Póvoa, cada patudo é especial e cada caso é um caso, no entanto por limitação de tempo não podemos escrever sobre todos. A história da Micas é similar a tantas outras histórias do nosso quotidiano, no entanto escolhemos a Micas, e ainda não sei bem porquê…

 

É possível que tenha sido porque a Micas tem a particularidade de pertencer não só à grande família da Vet Póvoa, mas também à minha própria família.

De forma algo sub-consciente poderá até ter sido ela a fonte de inspiração para o nome e logotipo do nosso novo projeto (Dona Micas). Pelo menos, encaixa na perfeição no perfil da nossa cadelinha pequenina, feliz e de bem com a vida, muito dona do seu nariz e apreciadora de produtos gourmet.

Podemos então afirmar que, com a maturidade que a idade já lhe dá, a Micas é uma autêntica “lady”, uma verdadeira “Senhora Dona Micas”.

Antes do Verão, tudo estava bem na vida da Micas, pertence a uma família numerosa, constituída por outros cães, humanos adultos e crianças para brincar. Mas um dia, essa terrível doença designada genericamente de cancro, a tal que não escolhe idades, nem sexos, nem nacionalidades, nem etnias, nem feitios ou personalidades, nem estratos sociais e que em boa verdade também não escolhe espécies, nem raças, bateu-lhe à porta.

O que começou apenas com um ligeiro cansaço e uma ligeira diminuição do apetite, tão típicos destas idades mais avançadas, foi diagnosticado como uma massa hepática de grandes dimensões. O fígado da Micas estava severamente afetado. Apesar de ser uma “Alfacinha de Gema”, a Micas lá veio de Lisboa até Coimbra para ser operada na “clínica dos primos”, sempre com a comunicação permanente entre a clínica veterinária onde é assistida regularmente e a Vet Póvoa.

A Cirurgia da Micas

Inicialmente realizámos análises sanguíneas para perceber se os orgãos internos se encontravam a funcionar bem e capazes de poder metabolizar os agentes anestésicos.

Seguidamente a Micas foi sedada e foi realizada uma ecografia pré-cirurgica de modo a que a equipa de cirurgia pudesse perceber a dimensão do problema.

Depois de preparar (rapar e lavar muito bem a zona a intervencionar), a Micas foi anestesiada (tendo por base a sua idade e condição física) e deu-se inicio à cirurgia propriamente dita.

Apasar de ser uma cirurgia de elevado risco, os sinais vitais foram monitorizados permanentemente, com ajuda do monitor multiparamétrico, não tendo existindo surpresas durante o procedimento.

Ao abrir o abdómen na região mais craneal, deparámo-nos  com  o que a ecografia já nos tinha mostrado: uma massa de grandes dimensões, muito irregular e vascularizada (características típicas dos tumores).

⚠️ Aviso: As imagens seguintes mostram procedimentos cirúrgicos reais e podem ser sensíveis para algumas pessoas.

Com muito cuidado o tumor foi separado dos tecidos envolventes e retirado, junto com uma grande porção de fígado. A ajuda das máquinas foi absolutamente crucial para o resultado final deste cirurgia.

Após o procedimento, a Micas pôde ser acordada, e a massa enviada para análise.

O resultado do laboratório demonstrou que se tratava de um carcinoma hepatocelular (tumor relativamente raro, com elevada malignidade). Nesta altura foi iniciado um protocolo de quimioterapia de suporte, de modo a manter a qualidade de vida da Micas, durante o máximo tempo possível.